Governo prepara medidas para preservar nova classe média da crise mundial (O Globo)
30/08/2011Adauri Antunes Barbosa (adauri@sp.oglobo.com.br) SÃO PAULO. O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Moreira Franco, disse nesta segunda-feira em São Paulo que o governo federal está elaborando um conjunto de medidas que devem ser lançadas ainda este ano para preservar os ganhos da nova classe média brasileira, formada nos últimos 10 anos. Conforme revelou o ministro, a preocupação do Palácio do Planalto é de que o atual cenário de crise econômica mundial altere negativamente a renda dessa parte da população. - A preocupação é preventiva, os números ainda não indicam alteração, mas como a situação econômica é muito delicada, nós estamos formulando políticas para enfrentar esse problema. O objetivo é ter uma espécie de trava para impedir que esses brasileiros voltem à situação de pobreza anterior - afirmou o ministro e ex-governador do Rio, que assinou em São Paulo um acordo com o Instituto Unibanco para cooperação técnica na área do ensino médio da educação pública do país. Uma das medidas que, de acordo com Moreira Franco, deve fazer parte do conjunto de ações governamentais, será a criação de uma "bolsa do trabalhador", para beneficiar os que têm carteira profissional assinada mas cuja renda mensal é baixa. A expectativa, segundo ele, é de que haja uma ampliação de outros benefícios já existentes, como qualificação profissional, salário família e abono salarial do PIS/Pasep. - Nós temos de começar a criar mecanismos para apoiar aquele que trabalha, estimulando a sua qualificação. E há a vantagem complementar de melhorar também a produtividade, por meio do investimento na qualificação do trabalhador - explicou, informando ainda que o conjunto de medidas está sendo formulado em conjunto com os ministérios da Fazenda, Trabalho e Previdência Social. Ao assinar o acordo com o Instituto Unibanco para o ensino médio, o ministro Moreira Franco, disse ainda que os jovens brasileiros que fazem parte da nova classe média, formada nos últimos 10 anos em função da estabilidade econômica e do aumento de renda das populações de classes mais baixas, estão financiando a própria educação para conseguir melhores empregos. - A maioria dos jovens no Brasil hoje está exatamente na nova classe média e a percepção que tem da educação é diferente da que os jovens do passado tiveram. Eles não acham que a educação seja um instrumento para colocar um diploma na mesa ou para melhorar o seu reconhecimento social. A educação é uma ferramenta para garantir o melhor posto de trabalho. E eles estão usando parte da renda que conseguiram fazer crescer ao longo desses anos para pagar eles próprios a sua qualificação. O acordo assinado nesta segunda-feira com o presidente do Instituto Unibanco, Pedro Moreira Salles, prevê o desenvolvimento de estudos, projetos, pesquisas e avaliações na área de educação com aplicação nas redes públicas do ensino médio, e será aplicado em 500 escolas de seis estados. Segundo ele, o jovem que hoje paga para estudar vai cobrar esse papel do administrador público. - E esse jovem, certamente quando coloca o seu dinheiro para pagar sua educação, não tenho dúvida de que o próximo passo será, pela primeira vez no Brasil, cobrar do administrador público, qualidade da educação.
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