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Brasil tem a maior rotatividade no trabalho do mundo (O Globo)

12/11/2011

Vivian Oswald

Economia

BRASÍLIA. Estudo inédito da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República mostra que, para reduzir a rotatividade no mercado de trabalho, o Brasil tem que investir na qualificação de quem já está empregado. São 22 milhões de trabalhadores que conseguem mudar de emprego, mas estão estagnados na mesma faixa salarial, de um a dois salários mínimos. Boa parte desse contingente vem das camadas mais pobres da população e integra a chamada nova classe média.

Segundo o documento, apresentado em Paris pelo ministro da SAE, Wellington Moreira Franco, à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), ao qual o GLOBO teve acesso, o Brasil tem a maior rotatividade do mundo: 41% da força de trabalho mudam de emprego a cada ano. Na faixa de um a dois salários mínimos, esse percentual passa de 50%.

O secretário da SAE, Ricardo Paes de Barros, afirmou que a forte rotatividade diminui a competitividade da economia, a produtividade do trabalhador e sua capacidade de ascender na empresa:

- Nos últimos dez anos, realizou-se o sonho dos trabalhadores pobres, de ter um emprego formal, o que os permitiu migrar para a classe média. O que eles enfrentam agora é a falta de estabilidade no emprego. A segunda onda de oportunidade que precisa ser dada é a garantia de um emprego estável.

Demissões estão acima da média internacional

BRASÍLIA. O estudo da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) aponta ainda que a rotatividade ocorre tanto porque as empresas demitem muito quanto porque os trabalhadores deixam seus postos num ritmo acima da média internacional, o que significa que ambos estão insatisfeitos. O ministro Moreira Franco adiantou que a SAE está desenhando uma política para garantir que a nova classe média tenha não só condições de permanecer na mesma classe como de ascender dentro dela. Para isso, está trocando informações com a OCDE, o Banco Mundial (Bird) e universidades brasileiras. A ideia é anunciar, ainda no primeiro trimestre de 2012, um conjunto de políticas e metas para a qualificação dos trabalhadores.

- Não estamos falando apenas do treinamento de quem já está no mercado, que é algo para o qual não se tem dado muita atenção, mas também de melhorar a qualificação dos jovens que estão começando. Muitos saem dos cursos sem a capacitação necessária para operar os novos instrumentos, as novas tecnologias, porque esses cursos estão defasados - destacou o ministro.

Para Moreira Franco, a redução da rotatividade vai aumentar a produtividade dos trabalhadores, das empresas e garantir ao governo outro instrumento de combate à inflação.

 

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