Alta rotação (Jornal O Dia)
29/11/2011
O Brasil sempre foi um país de oportunidades para quem está disposto a trabalhar e produzir. Essa frase, repetida mil vezes nas conversas cotidianas, pode esconder um cenário de muitas dificuldades para a grande maioria dos empresários e também dos trabalhadores. Um cipoal de leis, regras, processos e procedimentos burocráticos ainda precisa ser superado quotidianamente, tomando tempo, dinheiro e paciência de quem deveria estar mais preocupado em transformar matéria prima em bons produtos ou o seu talento em melhores serviços.
Um reflexo muito claro desse cenário está em nosso mercado de trabalho. Obter um emprego no Brasil tem sido uma tarefa relativamente tranquila nos últimos anos, período em que a estabilidade de preços alavancou as contratações. O problema é que, uma vez que conquistou sua função, o trabalhador não recebe o apoio adequado para melhorar sua capacitação, o que o ajudaria a se fixar e progredir na empresa que o acolheu.
Os dados mostram que 22 milhões de trabalhadores conseguem mudar de emprego em apenas um ano, mas estão estagnados na mesma faixa salarial, de um a dois salários mínimos. E boa parte desse contingente vem da nova classe média. O resultado disso é que o Brasil tem a maior rotatividade do mundo em seu mercado de trabalho: 41% da força de trabalho mudam de emprego a cada ano. Na faixa de um a dois salários mínimos, esse percentual passa de 50%.
Quem está trabalhando precisa se qualificar e sua qualificação é de interesse do próprio trabalhador, da empresa na qual trabalha e do governo. Acabar com a cultura da alta rotatividade de empregados é dar uma chance a quem trabalha para ter mais renda e melhores salários, representa mais lucro para os empresários e, para o governo, significa ganhar um instrumento essencial de combate à inflação, uma vez que mais produtos no mercado reduzem a possibilidade de aumento de preços.
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